domingo, 3 de janeiro de 2016

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Monumento Ao Soldado Desconhecido – Clima (2016)

Há muito tempo as pessoas me perguntam: “e o seu disco, quando vai fazer?”. Ocupado com meu trabalho nas artes visuais, cinema, teatro e bem resolvido na música com as parcerias e eventuais encomendas, ia respondendo com um “qualquer dia rola”, ou um “vamos ver, quem sabe esse ano”. Mas com o tempo, a demanda foi ganhando corpo e depois de um processo relativamente longo, posso enfim responder: - “Fiz, aí está!”.  
Lá atrás, quando decidi tocar o projeto, me afastei um tempo para compor. Naquele momento não tinha interesse em reunir e interpretar as composições de minha autoria que já haviam sido gravadas por outros intérpretes. Num primeiro trabalho solo, queria alguma coisa nova, não sabia bem o quê. Sabia sim que faria canções, mas pelo fato de eu ser talvez mais conhecido como letrista e também porque considerava mais difícil, resolvi que faria delas apenas a parte musical. Comecei por gravar solos no violão a partir de um material muito eclético, discos que incluíam antigas marchinhas, jazz, musica erudita contemporânea e o que mais estivesse ao meu alcance ali na hora. Depois escutei o que havia gravado e selecionei o que considerava potencialmente interessante. O resultado disso chamei de “vinhetas”, porque no final das contas meus solos não geraram nada próximo ao formato canção, sendo mais parecidos com vinhetas musicais, sem partes bem definidas. Satisfeito com o resultado, o caminho natural era mandar tudo pro Nuno Ramos, amigo e parceiro, um dos que mais me cobrava à feitura deste disco. Em pouco mais de uma semana, Nuno enviou-me as letras. Muito tempo se passou após esse impulso inicial. Fiz muitas outras coisas, música inclusive, até me convencer a dar forma ao projeto do disco. Aí o outro caminho natural foi chamar o Romulo Fróes, amigo e parceiro de longa data pra fazer a direção artística, dividir a produção e descobrir junto comigo o que faríamos daquele material. Minha ideia desde sempre era fazer alguma coisa onde as questões harmônicas não contassem tanto. Pensava em atualizar, por exemplo, um formato como o do "Mora na Filosofia" de Monsueto Menezes, uma batucada forte, umas cabrochas, um trombone e só.  Eu e Romulo procuramos então outro parceiro, o grande músico e compositor Rodrigo Campos. Começamos a mostrar as músicas pra ele, que foi aos poucos transformando aquilo que ainda era intuição, em algo real. E o real me agradou muito. Com isso, faltava a batucada (transformada, é claro) e o trombone. Sérgio Machado, baterista virtuose com uma linguagem muito influenciada pelo jazz e Allan Abbadia, trombonista ligado ao choro e ao samba, se mostraram a escolha perfeita. Reunido o time, entramos em estúdio sem praticamente nenhum ensaio com a banda completa e gravamos as bases em sessões ao vivo em apenas quatro dias. Depois disso acrescentei outros sons à esta base, resgatados de uma trilha que criei para um trabalho que restou inacabado, composta em programas de finalização de partitura, além de gravar outros instrumentos na sala de minha casa com um gravador caseiro. Me interessou contrapor os timbres artificiais dos softwares de computador ao som orgânico da performance ao vivo, interferindo no som da banda com essa espécie de arranjo eletrônico. O título do disco foi extraído de sua última faixa, uma marchinha que havia gravado e depois pensado em tirar do disco. Mas além dela falar de algum jeito do Brasil nesse momento especial que vivemos (...feito nós / rouco e sem voz / de barro, palha e coco / mas nunca descoberto...) e sua letra me parecer especial sob muitos outros aspectos (...é em mim o monumento / eu sei, eu tô lá dentro...), a figura do soldado desconhecido também me pareceu uma bela imagem para representar o ofício do compositor, que muitas vezes permanece anônimo sob a voz do intérprete. 
        
                                                                                                                                                                                                                 Clima
                                                                                                                                                                   

BIO

Monumento ao Soldado Desconhecido” é o primeiro disco solo do compositor, artista plástico e cineasta Clima (Eduardo Climachauska). Embora seja seu primeiro solo, a obra de Clima já é extensa. Parceiro de longa data de Romulo Fróes e Nuno Ramos (com os quais forma um conhecido núcleo criativo), Clima tem mais de setenta composições gravadas por intérpretes como Gal Costa, Elza Soares, Mariana Aydar, Mona Gadelha, Manuela Rodrigues, Veronica Ferriani, Juliana Perdigão, Giana Viscardi, entre outros. Clima é figura relevante na cena da música brasileira atual, tendo também parcerias com Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Thiago França, Guilherme Held, etc. Nesse seu trabalho de agora, com seu parceiro Nuno Ramos e com direção artística de Romulo Fróes, Clima amplia o alcance de sua poética, incorporando elementos ainda pouco explorados, abrindo novos territórios sonoros, tensionando a canção e estendendo seus limites, sendo muito bem acompanhado no disco pelos músicos (e inventores) Rodrigo Campos na guitarra, Sergio Machado na bateria e Allan Abbadia no trombone, além de contar com a participação especial de Romulo Fróes. 

FICHA TÉCNICA DO DISCO


Todas as composições de autoria de Clima e Nuno Ramos


Clima: voz, guitarra, violão, piano e arranjos eletrônicos

Romulo Fróes: voz
Rodrigo Campos: guitarra
Sergio Machado: bateria
Allan Abbadia: trombone
Nuno Ramos: prato em "Momumento ao Soldado Desconhecido"

Direção artística: Romulo Fróes 

Produzido por: Romulo Fróes e Clima
Gravado, mixado e masterizado por Carlos “Cacá” Lima nos estúdios YB
Edição de som: Fine Tuning por Daniel Bozzio
Todas as faixas editadas por alternetmusic